terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Clássico é clássico

Um clássico não chega a tal status por acaso. Seja ele um livro, um filme, uma música ou um jogo, se chegou a clássico é porque teve tanto a dizer, a tantas gerações diferentes, a tantas nacionalidades diferentes, que moldou até as pessoas cujas vidas ele alcançou. Por isso que, quando visito websites que elencam as obras de qualquer que seja a linguagem, vou carregado de ceticismo e cinismo. Mais ainda quando o website elenca jogos de tabuleiro, mídia que passa por um momento de exacerbado consumismo. Como jogos tornaram-se coqueluche, coisas para serem compradas e mostradas ao invés de serem sentidas e pensadas, tornou-se também comum desdenhar dos jogos clássicos, aqueles que todo mundo tem, aqueles que não diferenciam um colecionador de um consumidor comum. Os bons e velhos Banco Imobiliário, Jogo da Vida, War, Detetive, Combate, Scotland Yard, Interpol... Até mesmo clássicos mais recentes como Carcassonne e Catan já sofrem alguma esculhambação. Afinal, os compradores compulsivos irão exaltar estes jogos, que não separam mais a elite da ralé? Eles desconsideram, no entanto, que todo mundo tem estes jogos por um motivo: eles trazem regras fáceis de aprender, múltiplas possibilidades de ação em cada rodada, alta interatividade, fator sorte e fator estratégia bem equilibrados, ambientação interessante, e, somando tudo isso, são divertidos pra caramba. Estão no mercado há trinta, cinquenta, cem anos. Influenciaram milhares de criadores, milhares de criações. A elite do colecionismo deveria olhar para os vovôs com mais respeito.

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